Linhas de Pesquisa

Ética e Filosofia Política

Desde o início do século XX, a reflexão ética se concentrou nos problemas dos fundamentos semânticos, metodológicos e epistemológicos: um conjunto teórico que recebeu da filosofia analítica a denominação de Metaética. Nesse quadro, o que é questionado é a própria possibilidade de uma ética, enquanto teoria normativa da ação. São as posturas não-cognitivas e emotivistas que sustentam a tese em que as proposições normativas não possuem conteúdo cognitivo, uma vez que não são propriamente sentenças declarativas, portanto, não são nem verdadeiras nem falsas. Desse modo, se as sentenças normativas não são nem verdadeiras nem falsas, ela não contém obrigações e não podem ser fundamentadas. Com efeito, a ética enquanto teoria da ação moralmente correta é impossível. Diante dessa situação, o questionamento central na ética concerne ao problema de sua própria fundamentação. Juízos morais podem ser fundamentados? As respostas que decorrem dessa pergunta demarcam as grandes orientações do debate ético contemporâneo: as éticas deontológicas, as quais, respectivamente, se centram na análise dos julgamentos de fato e na análise dos julgamentos de valor, ambos implicados no agir humano.

A partir do problema da validade das normas que orientam a ação humana, é possível então perguntar pela legitimidade da ação e das instituições sócio-políticas. Idéias como Soberania, Representação, Contrato, Estado, Opinião Pública, Classe, Nação, Sociedade Civil, Partidos Políticos etc, são suscetíveis de uma avaliação crítica profunda. Nessa perspectiva, a pergunta pelo sentido da política e por sua legitimidade passa a ser o grande tema da filosofia contemporânea. Diante das ameaças que resultam da situação atual da humanidade, uma filosofia política pode ser construída de modo a considerar como referencial de sua orientação não apenas as comunidades políticas locais, regionais e nacionais, mas as relações humanas no contexto de uma civilização planetária, bem como as conseqüências da intervenção das ciências na ecosfera, na biosfera e dos mercados globais. Essa situação põe a humanidade frente ao problema da co-responsabilidade capaz de fomentar uma consciência solidária cosmopolita e que repercute a primazia do político no contexto do mundo globalizado e ameaçado por um colapso ecológico e social. Isso significa pensar o político como a condição de legitimar os fundamentos normativos básicos das estruturas necessárias para as comunidades históricas distribuídas sobre o planeta.

Filosofia da Linguagem e do Conhecimento

Constata-se que o estímulo para a consideração da linguagem surgiu a partir de diferentes problemáticas: na teoria do conhecimento, a crítica transcendental da razão foi submetida a uma crítica e se transformou em “crítica de sentido” enquanto crítica da linguagem. A lógica se confrontou com o problema das linguagens artificiais e com a análise das linguagens naturais. A antropologia vai considerar a linguagem um produto específico do ser humano e tematizar a correlação entre forma da linguagem e visão do mundo. A ética, questionada em relação à sua racionalidade, vai partir da distinção fundamental entre sentenças declarativas e sentenças normativas. Desse modo, sob o título “Filosofia da Linguagem e do Conhecimento” consideramos as seguintes dimensões: 1) a analítica, que se ocupa do aspecto lógico-formal e pragmático da linguagem; 2) a histórica relativa à gestação do sentido, enquanto tematização do horizonte fenomenológico e hermenêutico, no qual se situa a compreensão humana; 3) a dimensão transcendental que põe o problema da validade do sentido gestado e que entende a filosofia como uma reflexão do pensamento sobre si mesmo e sobre seus pressupostos, que na dialética se articula como uma teoria dos primeiros princípios.

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